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Foto: O Globo

Abrigos em desastres

Por Giovana S. Feres

O recente rompimento das barragens de rejeitos de mineração ocorrido em Bento Rodrigues, distrito de Mariana em Minas Gerais, nos demonstrou o quanto estamos vulneráveis a eventos desastrosos (ainda que possam ser previstos e mitigados) os quais podem resultar em grande destruição, inúmeros desabrigados e muito sofrimento.

Em desastres como esses, a acomodação das vítimas que perderam suas casas, ou que foram temporariamente afastadas por conta dos riscos próximos, tende a ser uma das questões mais importantes que permeiam a reconstrução do cenário urbano atingido. Num primeiro momento, as próprias pessoas desalojadas procuram abrigos com familiares e amigos próximos que não tiveram suas casas atingidas, enquanto aqueles que não têm para onde ir são acomodados pela defesa civil em edificações públicas capazes de abrigar grandes contingentes, de forma a distribuir igualitariamente os primeiros recursos e auxílios disponibilizados pelo governo ou por meio de doações populares.

Mas e depois desse primeiro auxílio? Se considerarmos que a construção de uma casa, ou mais propriamente de uma vila inteira, pode demorar cerca de anos para ser concluída, como essas pessoas permanecerão alojadas nesses edifícios públicos como ginásios, escolas ou similares? Tais espaços não oferecem o mínimo de dignidade e privacidade de que as famílias necessitam especialmente em um momento em que estão fragilizadas pelos fatos ocorridos.

Então alternativas de abrigos propostas são a de pensões ou hotéis (pagos pelo município ou responsáveis pelos desastres, quando existam), e abrigos pré-fabricados e/ou desmontáveis (cedidos por instituições governamentais ou não-governamentais) que são transitórios enquanto se reconstroem as habitações definitivas.

No caso do acidente ocorrido em Bento Rodrigues, as famílias foram inicialmente acomodadas no complexo esportivo Arena Mariana e já estão começando a ser transferidas para hotéis e pensões próximos e a comunidade decidiu pela reconstrução de suas habitações definitivas em outra localidade diferente da área de desastre.

Através de estudo desenvolvido durante o mestrado a respeito desses abrigos transitórios, pude constatar que tais espaços necessitam muito mais de uma organização eficiente das ações humanas, com esforços de profissionais de variadas áreas para a resolução dos problemas, do que do espaço de fato, o qual acaba sendo uma consequência natural quando as ações são bem compassadas.

Em relação ao profissional arquiteto, cabe estudar as características do determinado povoado e conferir aos abrigos, caso estes venham a ser provisórios e desenvolvidos antes da habitação definitiva, características que estejam de acordo com as necessidades de cada morador. Em termos práticos, esses espaços necessitam tanto de um dormitório e banheiro quanto de espaços para outras atividades cotidianas (distribuição de donativos, alimentos e água, coleta de esgoto e lixo, locais de ensino e estudos, creches, meios de transporte para o trabalho, entre outros) já que ali permanecerão por alguns poucos anos.

Há muitas outras questões ligadas a essas formas de prover abrigo, mas o que deve acontecer de imediato é cuidar para que essa população continue a viver de forma digna, o que significa dar-lhes o mínimo para seguir com suas atividades cotidianas.

Onde encontrar:

Giovana Feres, Arquiteta e Urbanista
Rua Piza e Almeida, 452, SL11, Ed. Office Tower, Centro, Itatiba/SP
gsferes@gmail.com

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