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Bruno Fagundes visita Itatiba e fala sobre a Peça Tribos

Foto: Juliana Rangel

Por Juliana Rangel

Bruno Fagundes está conquistando seu espaço nos palcos e na telinha! Há 1 ano e 7 meses se apresenta no Teatro ao lado do pai (Antonio Fagundes) e mais quatro atores (Arieta Corrêa, Eliete Cigaarini, Guilherme Magon e Maíra Dvorek) com a Peça Tribos.

Em uma visita na cidade de Itatiba, no Bibbone Emporio e Ristorante, para um almoço com os amigos e proprietários do estabelecimento, Bruno cedeu um tempinho para nós, da Q Revista, e contou um pouco sobre a peça Tribos, como é trabalhar com o pai e ainda comentou que pretende se apresentar aqui na cidade.

Confira, agora:

Q: Me conte um pouco sobre a peça Tribos e como é trabalhar com seu pai?

Bruno Fagundes: Não é a primeira vez que eu trabalho com ele, fizemos outra peça em 2012 chamada ‘Vermelho’, também um estrondoso sucesso, uma peça muito bacana. A diferença é que contracenávamos apenas eu e ele.

Agora estamos renovando essa experiência com mais quatro atores. É um elenco que a gente ama muito, um elenco muito bacana e a peça já está há um ano e sete meses em cartaz. Fizemos uma temporada de um ano em São Paulo, depois fomos para Portugal com a peça, ficamos 45 dias em cartaz lá e foi maravilhosa a recepção do público. Podemos até dizer que é uma peça internacional (rs).

Agora estamos viajando pelo Brasil com a peça, já estamos na nossa décima cidade no país, temos feito as principais capitais e estamos muito ansiosos para conhecer cada vez mais cidades que a gente não conhece e acredito que Itatiba faça parte desta lista. Estamos muito ansiosos para viabilizar a nossa vinda para a cidade, então vamos ficar na torcida para que dê tudo certo. A ideia é fazer duas apresentações especiais aqui com bastante público, porque é isso que a gente busca. Temos buscado a comunicação direta e exclusiva com o público.

Q: E como está sendo a receptividade dos espectadores, por abordarem a surdez como tema principal?

Bruno: Apesar da peça falar sobre surdez, a realidade é que usamos na apresentação a surdez como uma metáfora, para falar sobre a surdez de todos nós. A surdez daquele que escuta, mas não quer ouvir. Não quer ouvir simplesmente porque é algo vindo de uma pessoa diferente da sua própria realidade.

Então, na verdade, a peça usa dessa metáfora para dizer como a gente está se relacionando hoje em dia. Como estamos cada vez mais surdos, mais cegos e mais mudos para uma realidade diferente. E isso está refletindo em tudo o que a gente vê hoje em dia: na corrupção, nas guerras, na estupidez da violência… Tudo isso é um reflexo de como a nossa sociedade está cada vez mais egocêntrica, mais voltada para o próprio umbigo e distante de uma realidade alheia.

A peça aborda a história do personagem Billy que nasceu surdo numa família de ouvintes, então ele praticamente foi criado como ouvinte, uma coisa que ele não é. A vida de Billy se transforma quando ele conhece uma menina – personagem que torna-se surda devido a um fator genético que vai arrebata-la – e a chama para jantar com seus pais.

Tratamos a peça como uma ‘comédia perversa’, porque ela tem esse humor, mas é um humor bastante ‘ácido’. Há momentos que a gente se diverte muito com a situação, aquele jantar bagunçado, naquela família disfuncional. Mas ao mesmo tempo pensamos sobre o que estamos ouvindo e refletimos sobre o que que é realmente se comunicar e ser tolerante ao próximo.

Q: Cada papel que você faz acaba mudando um pouco a sua visão de mundo?

Bruno: Sem dúvidas! A gente tem uma responsabilidade muito grande quando vai fazer um personagem, né. Pelo menos eu posso dizer por mim; toda vez que vou viver um personagem novo, eu tenho o cuidado e a responsabilidade de entender o que é essa realidade, principalmente ao retratar uma deficiência. Eu não estou falando só de um personagem que não existe, eu estou falando de uma certa parcela de pessoas que sofrem aquela questão. Então eu não posso tratar isso levianamente, eu tenho que no mínimo ter um compromisso com a realidade e conseguir passar isso duma maneira que seja não só convincente, mas que traga a carga emocional que esse personagem carrega.

Para fazer o Billy, na peça Tribos, eu entrei em contato com a comunidade surda, fiz um estudo intenso e profundo sobre a surdez, sobre fonoaudiólogos; sobre como é a fala de uma pessoa que nasceu surda, como são as frustrações, a vida, a relação com as amizades e em todos os outros sentidos da vida e isso me mudou completamente!

Tivemos um retorno positivo com a comunidade surda, dizendo que nós ajudamos muito a causa, ajudamos muito a ilustrar melhor o que é a vida de uma pessoa surda. Mas eu digo que é ao contrário, foram eles que nos ajudaram a sermos pessoas melhores e entender uma realidade diferente da nossa.

Foto: Juliana Rangel

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Um comentário

  1. jandir gomes do carmo

    Gostei da iniciativa e do tema. Porem a comunidade surda de cada cidade deveria ser convidada atraves dos orgãos que trabalham com surdos, pois a maioria deles não sabem sobre esta peça.

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