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Causos e curiosidades da Santa Casa

hospital abrigou personagens folclóricos. No final dos anos 80, viviam ali o senhor José Floriano e o senhor José Adão. Ambos, por não terem famílias que os acolhessem, moravam na Santa Casa. Em contrapartida, faziam serviços gerais.

José Floriano auxiliava na limpeza externa, varrendo e colocando os resíduos em um balde que carregava nas costas. Ele era um grande músico da tradicional banda da cidade, a Santa Cecília. Sabia, como ninguém, tocar vários instrumentos. José Floriano mantinha seu quarto bem arrumado e lá fazia seus ensaios, atraindo funcionários para ouvi-lo nos momentos de folga.

José Adão era conhecido como Zé Copinho. Na juventude, ele gostava de beber aguardente em copinhos bem pequenos – mas vários copinhos em seguida. Pediu asilo à Santa Casa quando já não tinha como se cuidar. As pessoas gostavam dele porque era bom de papo, simpático e cheio de interessantes histórias.

Os registros mostram que muitas pessoas da cidade – empresários ou não – sempre ajudaram a Santa Casa, durante toda a sua história. Cada um participou de sua sustentabilidade de alguma forma e dentro daquilo que lhe era possível. Dentre essas pessoas, um trio de advogados fez diferença de uma maneira criativa, como relata A Tribuna, jornal da cidade na época. A cidade de Itatiba, em 1972, participou de um programa de TV apresentado por Silvio Santos. Era uma espécie de gincana, com várias tarefas a serem cumpridas. Uma delas, em determinado momento, era a de trazer ao palco três advogados itatibenses, exercendo a profissão: o avô, o filho e o neto. Apresentaram-se à gincana o doutor Enéas César Ferreira, seu filho José Bonifácio Ferreira e seu neto Enéas César Ferreira Neto. Com isso, além de levarem a cidade a vencer aquela etapa, ainda ganharam 664 cruzeiros, que doaram à Santa Casa.

MASC: o papel dos voluntários

A crise financeira atingiu todas as Santas Casas, em meados dos anos 1980. Muitas fecharam as portas e com a de Itatiba não seria diferente se um conjunto de ações não fosse colocado rapidamente em prática. Uma das iniciativas levou ao nascimento do MASC (Movimento de Apoio à Santa Casa). A ideia de envolver voluntários partiu do doutor José Renato Sapia, diretor clínico na época, e dona Zenaide, que compartilhou a ideia com Rosane Donini Arantes. O trio convidou outros cidadãos a participarem. Pessoas que normalmente faziam trabalhos sociais, inclusive as esposas dos médicos. Assim, em 1987, o MASC começou, oficialmente, a atuar em favor do hospital, na tentativa quase desesperada de tirá-lo de uma situação precaríssima.

Movidos por muita determinação, cerca de dezoito voluntários usaram ‘a cara e a coragem’ para pedir ajuda.
O forte do grupo, formado majoritariamente por mulheres, era a realização de eventos. De jantares e chás muito bem preparados a bingos e participação em bazar no Mercado Municipal e nas festas da praça da Bandeira. “Nossos vinho quente e quentão faziam muito sucesso”, conta Teresa Monte, uma das voluntárias do grupo. “Verdade”, confirma Rosane Arantes. E complementa: “os vapores etílicos da nossa barraca renderam muitos pedidos de casamento às solteiras na época… (risos)”.

Os ovos de Páscoa que o grupo revendia também eram famosos, já que Itatiba carecia de supermercados e lojas que oferecessem marcas variadas.
Mas não se contentavam com pouco. Com o ofício da Mesa Administrativa da Santa Casa em mãos, se armavam com o melhor sorriso e batiam literalmente na porta de fazendas, indústrias, comércio e das pessoas que, segundo Daia Paladino, “estão acostumadas a doar. O povo itatibense sempre foi muito solidário”. E na ocasião a causa era urgente. Ou cada um fazia a sua parte ou a cidade ficaria sem seu único hospital.

“Para se ter uma ideia”, lembra Daia, “durante quatro anos a Santa Casa não precisou comprar nada para a cozinha. A gente conseguia tudo”. Frango, carne, arroz, leite, ovos, legumes, verduras… o MASC angariava e descarregava aos montes no hospital.
Também foi o MASC , que tinha como foco de seu trabalho ajudar o bloco B (INPS), voltado ao atendimento público, que garantiu aos pacientes toalhas de banho, sabonetes e lençóis limpos e bem costurados, adquiridos a preços diferenciados no comércio local. Eram dias e noites dedicados a costurar as bainhas.

O trabalho do grupo sempre foi muito respeitado, tanto na zona urbana quanto na zona rural da cidade. As pessoas sabiam de sua seriedade.
Dentre as principais contribuições do MASC, além das já citadas, fruto das doações de pessoas físicas e jurídicas, também estão a troca do piso do bloco B, que era de taco, suportes para soro, pacotes de laparotomia e jalecos dos médicos, armários da Maternidade, frigobar dos apartamentos, batedeira, lava-louça e liquidificador industrial, freezer, balcão térmico, talheres e bandejas de inox, mesa ortopédica e tudo aquilo que era necessário para melhorar o bem-estar dos pacientes.
O grupo era a ponte entre a sociedade e a instituição e viabilizava a qualquer pessoa ou empresa dar a sua contribuição, sentir-se parte da reconstrução do hospital.

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