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“Curiosidade que dói e mata”

Dr. Carlos Alberto Santiago
Segundo o dicionário Aurélio on-line, a palavra ‘curiosidade’ significa ‘vontade de ver, de conhecer’. A curiosidade é algo tão interessante que neste exato momento você que está lendo essa matéria e, talvez, esteja curioso em saber do que se trata.
Existe um tipo de curiosidade que é muito boa, que é a que consiste em aprender coisas novas, procurar algo diferente que lhe traga ganho de conhecimento e experiência. Já a curiosidade ruim ou mórbida é aquela que não acrescenta nada em sua vida, aquela totalmente e inútil, típicas de fofocas ou bisbilhotices. Mas, a curiosidade que eu quero chamar sua atenção é aquela que expõe o individuo a constrangimentos, dor, perda da qualidade de vida e até mesmo a morte.
Trata-se da curiosidade dos familiares e profissionais da saúde que, devido a sua ‘angústia’ em ter um diagnóstico de precisão, expõe o paciente a inúmeros métodos diagnósticos invasivos dolorosos que necessitam de preparos específicos, de internações e riscos desnecessários em nome de um diagnóstico certo. Exemplifico: ‘Dona Maria (fictício) 94 anos, lucida, apresentou emagrecimento repentino e importante, alteração intestinal, anemia e uma massa endurecida no abdome’.
Claro que o diagnóstico ou “hipótese diagnóstica” irá dirigir qual conduta ou tratamento será proposto, e, portanto necessário. Porém, o que gostaria de chamar sua reflexão é até que ponto a curiosidade em saber o diagnóstico de certeza e os eventos no desenrolar destes diagnósticos são verdadeiramente benéficos ao paciente?
É frequente em nossos consultórios pedirmos tomografia com contraste, colonoscopia, endoscopias, biopsias, pois são extremamente necessários nos casos a serem elucidados, mas quero chamar sua atenção àqueles procedimentos e exames invasivos, arriscados, dolorosos e que posteriormente nada poderá ser feito, pois o risco cirúrgico ou do procedimento é muito maior do que seu benefício.
Então, é justo para suprir nossa curiosidade ou diagnóstico de certeza expor o indivíduo a perda da sua pouca qualidade de vida que lhe resta com indisposição, dor, desconforto, sofrimento e, até abreviando seus último momentos para que, depois destes, decidir não operar, não tratar ou não fazer nada?
Precisamos falar mais e encarar mais a dignidade da morte.
Ficou curioso? Espero que sim.

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