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“ECONOMÊS”: Ah, então tá!

Aqueles que têm acompanhado nas mídias o fraco desempenho da economia brasileira devem estar perdidos com a quantidade de siglas e termos usados pelos economistas, não compreendendo por vezes se o que está sendo comentado é bom ou não para a nossa vida, restando apenas a exclamação: Ah, então tá!

PIB, taxa Selic, Spread, mercado consumidor, inflação conjuntural, superávit primário, serviço da dívida, recessão, ajuste fiscal, oferta e demanda, balanço comercial deficitário, taxa de câmbio, tributos, IGPM, etc., são termos (exceto o último) utilizados para explicar algo que não se explica e que quando relacionados entre si, vira uma confusão só.

O desafio agora é grande, mas vamos traduzir tudo isto numa linguagem compreensível para nós, simples mortais. Vamos lá!

De um lado temos as empresas que produzem bens e serviços e, para tanto, contratam as pessoas que, por sua vez, recebem seus salários. Quando somamos, em valores, tudo aquilo que estas empresas produziram, é o tal do PIB (Produto Interno Bruto).

Mas quem produz quer vender e oferece seus produtos no tal mercado consumidor. Nós, heróis trabalhadores, vamos para este mercado com o nosso rico dinheirinho comprar aquilo que desejamos e/ou necessitamos. As empresas, após venderem, produzem mais, contratando mais, e nós, comprando cada vez mais, prosperamos. E o ciclo positivo está formado.

Entra em cena o Banco Central que, para controlar o consumo, aumenta a chamada Taxa Selic. Os bancos, que vivem do movimento do dinheiro, tomam ao custo da Taxa Selic (13,65% ao ano) e emprestam colocando sua margem de lucro, o chamado Spread (uns 150% ao ano). Saem de cena aqueles que pegaram dinheiro emprestado com os bancos, pois não têm mais como comprar no mercado consumidor tudo aquilo que normalmente compravam.

Se menos pessoas compram, reduzindo a demanda, as empresas, no primeiro momento, dão descontos para vender, fazendo com que os preços caiam, reduzindo a inflação. Mas num segundo momento, as empresas reduzem a oferta de produtos, disponibilizando menos produtos no mercado consumidor, fazendo com que os preços aumentem.

Aí o Banco Central aumenta novamente a taxa Selic, espantando ainda mais os consumidores, fazendo com que os estoques das empresas aumentem cada vez mais, forçando a redução nos preços.

Como as empresas têm custos a serem controlados, ao invés de baixarem os preços para venderem, decidem reduzir a produção, para adequar às vendas. Daí surge o desemprego que significa, em termos econômicos, menos pessoas comprando. Daí, temos mais desempregados e os preços aumentando cada vez mais. E o ciclo negativo está formado.

Para jogar “tudo no ventilador”, entra em cena o Governo Federal e seus tributos. Quando as despesas do governo são maiores que suas receitas, o aumento nos tributos (impostos, taxas e contribuições) se faz necessário para ter o tal superávit primário. Com esta sobra de dinheiro, paga-se os juros da dívida contraída pelo próprio governo. Existe outro caminho, que é a redução nas despesas, o tal ajuste fiscal, mas isto não faz parte das ações do Planalto Central.

Para resumir tudo isso, se tem inflação é porque nós estamos consumindo, se a taxa de juros está alta é porque estamos contraindo empréstimos e, se o Governo Federal gasta mais do que arrecada é porque foram colocados pela maioria dos eleitores, que são os consumidores.

Portanto, usam todas as explicações econômicas para a atual crise para dizer que a culpa é nossa!

Ah, então tá!

Prof. Charles Ikeda, Consultor de Empresas, Diretor do CNA Itatiba e do CNA KIds.

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Um comentário

  1. Caro Prof. Charles Ikeda. Gostaria de fazer algumas observações. Primeiramente, o PIB é equivalente a tudo o que as empresas produziram descontado os insumos utilizados na produção, pois PIB trata de valor adicionado da produção, logo, é preciso descontrar os insumos – bens intermediários – para que não haja dupla contagem. Seria interessante trazer o PIB através das óticas. A mais interessante é a da renda: salários, juros, lucros e aluguéis. Nesta ótica, seria interessante atentar para a participação crescente dos salários, reflexo da política de valorização do salário mínimo dos anos recentes, o que se constituiu na distribuição de renda de 2005 a 2014 – ponto interessantíssimo para outra matéria. Segundo, o aumento da Selic pelo BC não objetiva contrair o consumo, necessariamente. O BC objetiva contrair a quantidade de moeda no diagnóstico da teoria clássica de que quantidade de moeda afeta o nível de preço – pois moeda é gasta na forma de consumo, sem entesouramento – que nos leva a uma visão muito simplista. Segundo ela, retraindo a quantidade de moeda, retraem-se os gastos agregados (consumo e investimento). É importante considerar o investimento das empresas como um gasto que gera emprego, não um “consumo”, como o das famílias, simplesmente. Visto que nossa inflação tem um grande componente de custo e indexação, não é possível este diagnóstico do senhor a respeito de inflação puramente de demanda. A lógica geral da política monetária é a subida do juros para atração de capital externo, valorizando a taxa de câmbio e, assim, “combatendo” a inflação. Poderíamos, em outra matéria, explorar os custos disso – o qual recai, principalmente, sobre nossa indústria. Um terceiro ponto é que o spread bancário não é composto apenas de margem de lucro, apesar dela constituir o grosso do spread, também há custos relativos a riscos, impostos, compulsórios do exigidos pelo BC, despesas administrativas, tudo encorporado às taxas. O determinante do spread no Brasil, no entanto, é o elevado custo de oportunidade representado pela Selic. Com a Selic alta, compensa os bancos manter o capital aplicado à juros nos títulos públicos do que se arriscar emprestando, certo? Por isso, cobram taxas altíssimas nos empréstimos. Pois bem. Isto é histórico. Poderia outra matéria, novamente, abordar a questão. Por fim, acho que poderia ser explorado esta ideia de “subir a taxa de juros para diminuir a demanda” e suas consequências! Nosso ajuste fiscal é fundado nesta lógica muito simplória e que não dá conta da explicação do total da inflação, pois ela não é de demanda, professor. É de custos! Veja o peso dos preços administrados, dos indexados e dos comercializáveis no IPCA. Além disso, esta teoria não considera fatores mais importantes como a necessidade de retomar o crescimento, sem o qual, aliás, não haverá ajuste fiscal e o “tal superávit primário” – que, por sua vez, constitui-se de pagamento de juros da dívida pública. Assim, há um problema aí: corte de gastos estão agravando a recessão. Mais um novo assunto para outra nova matéria… Veja a quantidade de informações interessantes que conseguimos retirar. Acredito que a página de economia da Qrevista poderia ser mais interessante. Gostei da matéria do professor, porém, há diversas questões levantadas que seriam interessante um esclarecimento à população. Gostaria de poder participar!

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