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Erasmo Carlos

A vivacidade de um artista que não parou no tempo!

O entrevistado desta edição é um Gigante Gentil que já teve fama de mau. Compositor de mais de 600 canções, ele fez com rei Roberto Carlos a parceria mais famosa da história da música popular brasileira.

O colecionador de sucessos continua na estrada e sua vida vai virar um filme, na obra “Minha Fama de Mau”, que deve ser lançada em 2017. É com grande satisfação que fechamos o anos de 2016 com ele, Erasmo Carlos!

Aos 75 anos, Erasmo é considerado um dos maiores compositores do nosso país, além de ser multi-instrumentista e escritor. No próximo ano, o “Tremendão” pretende lançar seu primeiro livro de poesias.

Acompanhe a entrevista concedida especialmente à Q Revista e (re)viva a história e as obras deste grade artista brasileiro:

Erasmo-02Q Revista: Erasmo por Erasmo: Quem é o Erasmo Carlos?

Eramo Carlos: Eu acho que dei sorte! Dei sorte de ter sido contemplado pela minha crianção, por Deus… sei lá. Pelo meu dom e o meu talento, se não não teria tantos anos de carreira e hoje em dia sou um cara que não peço nada. Vejo que tenho muito mais do que eu poderia imaginar.

Gosto muito de mim, fico com os erros e acertos da minha vida e vejo que consegui ser um cara digno, honesto, sempre com muitos amigos, querido pelo Brasil todo e isso me enche de satisfação, além de me deixar feliz de cumprir a minha missão, que é dar amor e receber amor. Sempre com amor e paz. Acima de tudo.

Q.R: E como é que o “Carlos” surgiu como nome artístico?

E.C: “Carlos” surgiu por influência do Roberto Carlos e Carlos Imperial, que eram meus amigos na época. Eu gostava muito do nome. Mas, como meu nome é Erasmo Esteves, quando me chamavam no palco eu achava muito pouco, parecia que estava sempre faltando algo. Aí, um dia eu li algo que dizia assim: a letra L significa Leão, o rei da selva. A letra S significa Sol, o rei dos astros… enquanto que a letra C tem é uma letra nobre, por compor nomes de reis, como Cristo. Foi aí que pensei: “Tá aí, vou usar o nome Carlos”. E então nasceu Erasmo Carlos.

Q.R: Você se considera roqueiro?

E.C: Eu me considero um compositor brasileiro acima de tudo. Faço todos os ritmos. Pela minha maturidade de existência, pude assistir o nascimento de vários ritmos e, por isso, minha influência musical é bastante grande. Eu vi o nascer do Rock, da Bossa Nova… eu vi muitos gêneros através da minha vida.

Então, eu sou um compositor brasileiro, movido pela alma do Brasil, sabe? Eu não ligo muito para o se faz lá fora. Ouço para informação, mas não ligo muito, não sou “baba-ovo” dos americanos, não canto em inglês. Sou brasileiro e faço rock brasileiro, que foi o gênero que abriu as portas para mim quando comecei. Eu me dediquei ao rock e deu certo. Fui seguindo o meu caminho.

Mas eu sempre componho para o samba e para diversos outros ritmos também. O rock foi algo que me abraçou, mas eu me considero um compositor que faz de tudo. Sou o pai do rock brasileiro!

Q.R: De toda forma, você é um dos precursores do rock no Brasil. Como é que você vê a evolução do gênero nos dias atuais, uma vez que o rock continua vivo, mas não está mais no mainstream?

E.C: Eu gosto de frisar que eu faço rock em português, porque é brasileiro. Eu não faço cover de estrangeiro. Eu fui um dos pioneiros a fazer isso.

E, no brasil, eu vejo essa difusão do rock como algo perfeitamente normal. Na Inglaterra, por exemplo, o rock nunca vai sair de cena, porque é o ritmo deles. Agora, aqui nós vemos um país de muita mistura, já que temos o axé, ritmos nordestinos, a música sulista, influências africanas… Então, vivemos num país muito miscigenado e rico de ritmos. E por isso, vejo que é natural que o rock seja apenas um dos ritmos e não o que predomina.

Q.R: Erasmo, quais são seus Lados B? Gostaria que me contasse sobre esse trabalho!

E.C: Esse novo disco é composto de músicas que não tocaram na rádio. E tem bastante rock. São  canções que gravei ao longo da minha vida e que não entraram na rádio, porque naquele momento eles só queriam o lado A do disco, o que a gravadora mandava. Num LP, por exemplo, duas músicas aparecem e 10 ficam desconhecidas, então resolvi fazer esse resgate.

Q.R: O filme “Minha Fama de Mau”, conta um pouco disso?

E.C: Não, o filme é uma coisa completamente diferente. Eu escrevi um livro com o mesmo nome e o diretor Luiz Faria comprou os diretos do livro e separou os trechos que ele quis. Ele se reteve mais na Jovem Guarda. Eu nem sei como será, eu somente escrevi o livro. Não participei de nada. Eu vou ver o filme junto com você. Quando ele for lançado é que eu vou até o cinema para assistir.

Q.R: E como é para você ter uma parte da sua vida documentada em filme? 

E.C: Eu fico lisonjeado demais! Pô, nem todo mundo tem isso, né? E eu fui premiado pela vida com essa honra. Eu tive que me destacar e tenho talento para tal. Sabe que eu acho até engraçado? Eu fico pensando que eu sou um cara que nem pensa nessas coisas e, de repente, acontece comigo! Estou imensamente feliz. Como eu não vi nada ainda, não sei qual a sensação real de ver a minha história na tela do cinema, só vou sentir de fato quando eu ver a minha vida, eu e tudo mais lá.

Imagino que só assim é que a ficha vai cair.

Erasmo-04Q.R: Eu gostaria também que você falasse sobre o seu lado poeta. Quando a escrita poética começou a florescer de dentro de você?

E.C: Eu posso te dizer até que eu comecei com letras, antes de começar com música. Eu já gostava de versinhos, sabe? Ainda no colégio eu gostava de livros de poesia e rimas simples.

Eu me lembro de um poema, que acho deve ser o primeiro poema que eu decorei, do Bastos Tigre, que diz assim: “Saudade palavra doce que produz tanto amargor. Saudade é como se fosse um espinho cheirando a flor”. Eu gostava tanto disso, não sei como. Mas eu achava tão bonito! Isso foi bem marcante na minha vida.

Depois é que veio a música e aí eu comecei a unir essas minhas criações com a música. E, em breve, vou abrir um novo ciclo da minha vida com a publicação do meu livro de poesias. Estou escrevendo nesse exato momento a poesia de número 91. Quando eu fechar 100 eu publico o livro. Algo que deve acontecer em 2017.

Q.R: Música também é poesia? 

E.C: Nem toda música é. Mas a música é poesia, claro. A gente sente quando é.

A música é um veículo que te permite dizer as coisas que você pensa. Então, dependendo da forma como você diz ela pode ser considerada poesia.

Q.R: Em uma de suas escritas, você diz: “Pus a vida na mesa e resolvi jogar”. Como você tem jogado até aqui? 

E.C: Para mim é muito evidente que a vida é um jogo. Eu não sei quem está jogando, o que eu sei é que eu sou uma peça da vida. As pessoas todas são e o mundo é o cenário do jogo.

Sobre isso eu tenho uma convicção muito forte. Os Deuses, por exemplo, se é que eles existem, ficam lá jogando com a gente. E aí eles mudam a peça quando eles querem, fazem obstáculos, livram caminhos…. eu tenho plena consciência de que deve ser assim.

Q.R: O que as tantas e tantas parcerias com o Roberto Carlos significaram para você? 

E.C: Roberto é o meu parceiro mais constante. Temos passado por momentos maravilhosos juntos, compondo, em viagens e vivendo coisas maravilhosas. Nós só temos é que agradecer a Deus pela nossa inspiração e pelo mundo ter juntado a gente com essa amizade.

Ao longo dos anos, tentamos transmitir mensagens de paz, de amor e de amizade. E temos sido abençoados. Talvez por isso o público tenha nos prestigiado esse tempo todo.

Erasmo-01Q.R: Ao longo dos anos, muitos pensaram que vocês (Erasmo e Roberto) realmente eram irmãos. E, ainda hoje, é difícil pensar em um sem lembrar do outro. Isso em algum momento te incomodou? Te atrapalhou profissionalmente? 

E.C: Não, não! Eu até tenho uma resposta técnica sobre isso. (risos)

Essa proximidade nunca nos atrapalhou por um motivo bem simples: não há competição entre nós. Eu sou compositor e o Roberto é cantor. Se eu fosse cantor, talvez eu tivesse essas vaidades de cantor e aí poderíamos até disputar algo. Mas, não! Eu me realizo compondo e, por consequência disso, nunca haverá disputa entre nós. Cada um é um.

Q.R: Assistindo um programa de TV do qual você participou como convidado, vi você responder para a apresentadora que, para você, o que foi feito nos anos 60 e 70 (musicalmente falando) não deveria ser adaptado aos dias atuais. “O que foi, foi. E foi bonito. É passado”, disse você. Se esse tempo não deve voltar, então, para onde a música feita no Brasil está caminhando? 

E.C: Na verdade, olhando por outro lado, eu vejo que ela volta! A rebeldia dos anos 70 está ativa, só que não toca na rádio. Existem muitos cantores e bandas boas surgindo, músicas de contestação e tudo, mas eles não têm a oportunidade de aparecer. Os espaços estão cada vez menores, não há programa onde todos possam se apresentar. E quando alguém se apresenta, não pode passar de dois minutos. Atualmente, essas apresentações acontecem sem solos de guitarra, de teclado e outros apoios instrumentais, justamente porque eles querem só a voz e, assim, eles assassinam e deformam a música. Mas existe muita gente boa fazendo som por aí.

Só eu que não posso mais ser rebelde! (risos) Eu já xinguei todo mundo, até Deus! Não tenho mais ninguém pra xingar. Nem a mim mesmo. (risos)

Q.R: E os planos para 2017, quais são?

E.C: Não faço planos! O que é certo é o lançamento do meu livro de poesias, que assim que estiver pronto será fabricado. Fora isso, é só seguir o fluxo. Já sou imensamente grato por ter chego até aqui.

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