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Ergonomia em arquitetura

Qual é a sensação que você tem ao chegar em casa? É de conforto? Muitas vezes a resposta não é essa por pura falta de funcionalidade dos espaços, ocasionada pela desatenção às regras ergonômicas.
Tem-se o costume de tratar de ergonomia apenas em objetos, como uma cadeira e suas características de encosto e apoio de braços. Porém a ergonomia está presente antes da decoração de um espaço, durante todo o desenvolvimento de um projeto de arquitetura. De extrema importância, assim, a ergonomia não deve ser esquecida na arquitetura, já que ela pode proporcionar maior bem estar e saúde ao usuário. Ergonomia é, então, a interação entre o homem e o ambiente que otimiza o desempenho de suas atividades, condiciona relações, proporciona conforto e, portanto, produz qualidade de vida.
Na prática, em arquitetura utiliza-se das características psicológicas, socioculturais e físicas dos usuários para obter-se a ergonomia adequada, e é a partir desta que se definem as proporções e dimensões específicas dentro de um projeto, a ser consideradas em sua fase inicial, quando as alternativas podem ainda ser examinadas e modificadas. Entretanto, muitas vezes a ergonomia é negligenciada por alguns profissionais, os quais deixam de atentar-se ao usuário final do espaço produzido, focando em aspectos meramente formais, estéticos ou conceituais.
Em espaços públicos, a ergonomia adequada é aquela que atinge o maior número de pessoas, independentemente de idade, habilidade ou limitação física. Para tanto, há diversas orientações e normas gerais que orientam a concepção desses espaços com dimensões e relações preestabelecidas.
Nos espaços privados, por sua vez, como os residenciais, a ergonomia deve estar atrelada ao usuário ou grupo de usuários finais daquele espaço específico, o que suscita maior investigação sobre suas características, rotinas e estilos de vida. Hoje, clientes mais exigentes já estão preocupados com a personalização de seus espaços e buscam por profissionais antenados e que deem respostas a suas atividades rotineiras.
A base de projetos personalizados tem como foco quem será o usuário final, qual função ele exerce naquele espaço e, a partir disto, adapta ali as questões ergonômicas. Por exemplo, características como a estatura tendem a influenciar na instalação das bancadas, prateleiras e marcenarias, enquanto a idade condiciona a agilidade dos movimentos e, portanto, a largura de aberturas e portas e o grau de interferência dos obstáculos presentes.
Outro exemplo é a iluminação de cada ambiente, que deve estar projetada conforme a atividade a ser desenvolvida, ou seja, nem sempre um ambiente com muita luz configura um ambiente ideal se a atividade ali desenvolvida necessitar de pouca luminosidade.
Espaços de tráfego, por sua vez, como corredores, rampas e escadas, quando necessários em um projeto, devem ser dimensionados conforme usos dos espaços que irão interligar, se configurarem espaços de alto tráfego, deverão ser mais largos e dotados de materiais mais resistentes; se as pessoas que ali transitarão tiverem idade avançada, deverão conter corrimãos, materiais antiderrapantes e iluminação adequada, entre outros itens importantes.
Até as dimensões dos espaços e suas relações com o mobiliário influenciarão na escolha dos equipamentos para se garantir a ergonomia correta, como é o caso das salas de TV, ou home theaters, em que o tamanho da tela exige uma certa distância e altura em relação ao sofá para poder acomodar-se confortavelmente aos olhos do usuário.
Estes são apenas alguns exemplos pontuais inseridos na complexa malha de decisões que compõe os projetos de arquitetura. Muitas soluções de ergonomia competem sim a desenhistas industriais e a opções pessoais de cada usuário, mas muitas delas configuram decisões fundamentais dos arquitetos no momento de desenvolvimento dos projetos, o que promove invariavelmente maior qualidade de vida nesses espaços.

ONDE ENCONTRAR:
Giovana Feres
Arquiteta e Urbanista
R. Piza e Almeida, 452, SL11, Ed. Office Tower, Centro, Itatiba-SP
gsferes@gmail.com

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