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Elementos vazados (cobogós) retrôs da Casa do Pátio de Leo Romano, 2013.

Estilo Retrô ou Vintage?

Giovana S. Feres | Arquiteta
A utilização dos estilos ‘retrô’ e ‘vintage’, na arquitetura e em outras áreas como moda e design, foi e continua a ser tendência, já que nos remetem a memórias afetivas, muitas vezes familiares, e se baseiam em estéticas já testadas e aprovadas. Aqui no escritório, quando me solicitam esse tipo de composição, porém, percebo certa confusão entre os dois termos, os quais são bem diferentes entre si. Enquanto retrô é uma releitura ou recriação do que se utilizava no passado, o vintage é algo realmente dessas épocas e que denota boa qualidade por ter permanecido através do tempo (do inglês: ‘safra de vinhos’).
Em termos gerais, as características do estilo retrô incluem ousadia na composição por se valer de materiais e cores inusitadas sem que o contraste desses elementos choque, antes eles se complementam. Alguns atributos desse estilo em decoração são mobília mais baixa e alongada, móveis com pés longilíneos e pontiagudos (conhecidos como pés-palito), peças cromadas e espelhadas, e cores fortes e variadas (como laranja, azul, lilás, verde, vermelho, rosa, entre outras). Já em arquitetura, pode ser incorporado nas composições de elementos e materiais, reeditados, fazendo alusão a uma determinada época, como os atuais azulejos portugueses os quais são na verdade uma releitura dos modelos usados antigamente, e os elementos vazados de concreto, ou ‘cobogós’, característicos das décadas de 50 e 60 e que hoje são reproduzidos em outros materiais e cores.

Casa do Arquiteto Oswaldo Bratke com elementos vazados (cobogós), 1951.
Casa do Arquiteto Oswaldo Bratke com elementos vazados (cobogós), 1951.

As peças retrô costumam ser mais caras que as contemporâneas por incorporar o trabalho de releitura, porém mais acessíveis que as vintages, geralmente encontradas em antiquários e/ou lojas do gênero com alto custo tanto pela idade, estado de conservação e raridade, quanto pelo valor afetivo que possuem. Para a utilização do vintage em arquitetura e interiores, pode-se valer do garimpo de materiais e elementos originais, nos conhecidos museus e cemitérios de azulejos por exemplo, e em decoração com mobiliário e objetos originais de época, tais como louças, eletrodomésticos, luminárias e cristais, entre outros.
Nos espaços contemporâneos, a utilização desses estilos configura uma tentativa de resgatar os valores desses períodos, a fim de atribuir maior personalidade e glamour aos ambientes e edificações. Porém, não se devem forçar determinados estilos simplesmente por modismo, mas sim compreender quais referências são positivas ao usuário final e poderiam então ser incorporadas.
Assim, peças antigas (vintages) ou peças de releitura (retrôs) se combinam com peças atuais para transmitir uma imagem nostálgica de uma individualidade própria. A eficácia da composição, para não deixar os ambientes ultrapassados ou carregados, entretanto, está justamente na sensibilidade do profissional em dosar os estilos em questão e nas preferências do morador/usuário final.

 

PARA SABER MAIS:

Giovana Feres
Arquiteta e Urbanista
Ed. Inside Corporate
R. Crescêncio da Silveira Pupo, 75 | SL34 – Jd. Vila Cassaro – Itatiba/SP
contato@feresarquitetura.com.br

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