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Saúde: Gravidez na adolescência

De quem é a culpa?
Por MAIARA LIMA

Em pleno ano 2012, em que tanto se discute sobre a democratização da informação, falar sobre gravidez na adolescência poderia ser um tema ultrapassado, entretanto, dados do Ministério da Saúde revelam que em 2000, 27% dos partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país envolveram gestantes com idade inferior a 19 anos. Nos anos seguintes a porcentagem das crianças que nasceram e nascem no Brasil filhas de adolescentes se manteve em cerca de 20%. Mas afinal, de quem é a culpa? Em conversa com o ginecologista e obstetra José Claudio Fernandes, o médico afirma que neste caso três pontos devem ser avaliados.

O primeiro deles é um dado a respeito do atual comportamento destas jovens, o qual o ginecologista pretende criar um estudo a respeito; segundo o médico, atualmente a gravidez na adolescência deixou de ser exclusivamente decorrente de acidentes com métodos contraceptivos ou por irresponsabilidade do casal e é consentida por essas adolescentes. “Hoje o que eu acompanho é que a gravidez é consentida por essas jovens, elas querem engravidar, como se fosse a maior prova de amor que elas poderiam dar. Elas acreditam que o relacionamento é eterno e como a questão da virgindade está banalizada e não existe mais a primeira vez como prova de amor, passou a ser a gravidez.

O mundo pode ter mudado, mas a natureza feminina não. Essas jovens continuam a ter essa facilidade para se apaixonar nesta faixa etária (como na idolatria por artistas ou celebridades) e acreditam que o namorado é o último homem da vida delas. Em média, das pacientes que atendo em UBS, a cada 10 garotas 3 estão grávidas, isso na faixa etária abaixo de 16 anos, sendo que já cheguei atender menina de 12 anos grávida,” conta o ginecologista.

Segundo Claudio, outro ponto primordial é a questão da cultura familiar. “Atualmente, as mães dessas meninas também já aceitam com mais facilidade essa gravidez, já sabem que vão acabar cuidando dessa criança e aceitam. A gravidez não é mais tabu dentro de casa, o que traz uma “segurança” para a garota pensar em engravidar. É por isso que a formação familiar é imensamente importante, é preciso que haja uma preparo para a primeira relação, não só no caso da responsabilidade, mas porque é como a garota vai encarar a vida sexual a partir daí. Eu sou contra interromper qualquer gravidez, por isso a importância de prevenir que ela aconteça em uma idade em que a adolescente não tem preparo nem físico, nem emocional. A sexualidade independe da faixa etária ou das transformações e mudanças hormonais femininas, mas não precisa chegar à gravidez”, ressalta.

O terceiro dado que o ginecologista chama atenção é para o fato de que, em sua maioria, os parceiros ou namorados destas adolescentes são maiores de idade. “Nos casos que acompanho, a grande parte dos namorados das adolescentes são maiores de idade e não existe qualquer tipo de controle sobre eles. Não foi a sexualidade que explodiu, foi a gravidez e porque ninguém está preocupado com este adulto, que em quase todos os casos, abandona a adolescente grávida? Na minha opinião, deveria existir alguma punição para quem engravida e abandona, porque pagar pensão é muito fácil, mas a cicatriz que fica na vida da criança não vai sumir nunca”, aponta Claudio.

Hoje, ciente da vulnerabilidade do adolescente, a lei brasileira pressupõe que ele ainda é imaturo para manter relação sexual, portanto relações sexuais entre adolescentes e pessoas maiores de 18 anos, mesmo ocorridas sem violência, podem ser passíveis de crime de “corrupção de menores” ou de “sedução”, se denunciadas às autoridades. Mas, para o ginecologista, toda essa situação deve ser trabalhada, sem buscar um culpado, e sim na formação familiar. “Formação familiar é o se importar, o cuidar. É saber com quem os filhos andam e estabelecer um diálogo, por mais delicado que o assunto seja, para que essa adolescente tenha preparo para dar início à vida sexual.

Todos nós sabemos como a estruturação familiar, ou a falta dela, afeta a vida de uma pessoa – vemos casos disso no nosso próprio circulo ou na mídia; recentemente o Supremo Tribunal Judicial condenou um pai por abandono afetivo – então é preciso ter consciência dos danos na vida dessa criança que virá, e na da própria adolescente que, na maioria das vezes, para de pensar no próprio futuro, perde uma possível carreira ou se torna negligente com a criança,” finaliza.

Você sabia?
De acordo com um levantamento da Organização das Nações Unidas, um terço das 205 milhões de gravidezes ocorridas a cada ano não são planejadas. Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a América Latina registra anualmente 54 mil nascimentos com mães menores de 15 anos e 2 milhões com idades entre 15 e 19 anos. Já no Brasil, estudo do Ministério da Saúde revela que 15,9 anos é a idade média da população feminina para a ocorrência de gravidez.

Por isso, em 2012, mais de 70 países da Europa, Ásia e América Latina vão participar pelo sexto ano consecutivo do Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência, celebrado no dia 26 de setembro. A data visa levar mais informação aos jovens, educando-os sobre a saúde sexual e métodos contraceptivos para prevenção de uma gravidez não planejada e indesejada. Mais informações no site: www.vivasuavida.com.br

Serviço:
DR. JOSÉ CLAUDIO FERNANDES
GINECOLOGIA / OBSTETRÍCIA
Telefone: (11) 4534-1515
RUA ANTONIO LEONE, 98 – CENTRO – ITATIBA – SP
DR.JCFERNANDES@YAHOO.COM.BR

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