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Jorge Baladi

Por Juliana Rangel

Jorge Baladi, em uma conversa super descontraída, conta sobre fatos marcantes na sua vida como empresário e sobre a relação com a mulher e os filhos.

Jorge Baladi (69), filho de pai libanês e de mãe descendente de portugueses, casado com Vera Baladi há 48 anos e pai de cinco filhos, tem uma história no comércio de dar exemplo para qualquer um, mas quando interrogado sobre o que é mais importante em sua vida, ele não pestaneja: “Minha família! Pois a família é a base de tudo, sem ela eu nada seria.”. Essas e outras declarações você confere a seguir na entrevista com o empresário.

Q: Conte-nos como começou essa sua paixão pelo comércio.

Jorge: Foi a partir do meu pai que eu, lá longe, me tornei comerciante e empresário. Desde pequeno ficava no armazém dele, que chamava Casa Nossa Senhora Aparecida. Aprendi muito do comércio com meu pai e foi na loja dele que tudo começou.  E após me inspirar nas vitrines de lojas de Campinas, eu decidi que era aquilo que eu queria vender: roupa masculina. Até que um dia eu falei para o meu pai: vamos comprar umas caixas de lenço, meias e cuecas e algumas camisas e gravatas. Apesar de ser uma loja de tecidos e armarinhos, fizemos um espaço só para roupas masculinas. Meu pai não estava habituado com isso. Antes as mulheres e homens compravam tecidos para levar para a costureira confeccionar. Era tudo sob medida. O pensamento era que ‘Roupa feita não vai vestir’.

Q: E o seu relacionamento com a Vera?

Jorge: Conheci a Vera no jardim de infância e nem sabia. Temos uma foto, ainda no jardim, que demonstra como somos até hoje: desde pequeno eu vivo nos pés dela (risos). Mas fomos nos encontrar novamente no colégio, já na adolescência. Na hora do footing, como eram chamadas as voltas na praça onde se dava duas ou três voltas para flertar com alguém, eu acabei paquerando a amiga dela, escolhi a errada (rs). Mas como nos víamos sempre, pois era ela que entregava meus recados para a amiga, acabamos nos apaixonando e estamos juntos até hoje. Havia tanto romantismo antigamente, hoje é até sem graça. Namoramos por quatro anos e em novembro de 1965 nos casamos.

Q:  Além do comércio, tem alguma outra paixão?

Jorge: Desde pequeno  eu adoro qualquer coisa que envolva o esporte.Eu tinha que fugir do meu pai de domingo para poder jogar futebol com os meus amigos. Minha chuteira já ficava na casa de um amigo meu e eu saía com os livros para disfarçar. E além do futebol, eu sempre gostei de basquete, jogava pelo time da cidade e participava dos regionais.

Q: Como surgiu a Riviera?

Jorge: Meus pais sempre viajavam para Águas de São Pedro, iam para ficar sozinhos e descansar do trabalho. E numa dessas ocasiões eu liguei para todos os fornecedores e fiz pedidos para serem entregues com urgência, pois sabia que eles iam ficar mais vinte dias e eu achei que meu pai fosse ficar super feliz. Comprei ‘horrores’. A Riviera nasceu de uma inconsequência minha, pois quando meu pai chegou, ficou louco, ligou para os fornecedores, queria devolver tudo. Mas os representantes pediram para ele deixar as peças, foi aí que meu pai disse que estava na hora de ele se aposentar e eu abrir a minha própria loja. E assim nasceu a Riviera.

Q: Como foi essa mudança da loja?

Jorge: Pouco antes de mudar para a loja que estou agora, ainda estava onde hoje é a Cacau Show, eu comprei um Volkswagen fusca, novinho. Eis que meu pai me ofereceu a loja que era dele (o local atual), com muito mais espaço; mas tinha muitas colunas e eu queria tudo plano. Meu pai me fez vender meu carro para reformar a loja. Fiz toda a reforma, do piso ao mezanino, com o dinheiro do fusca. E foi a Vera quem escolheu o nome da loja, quando ainda namorávamos;  ela sempre esteve comigo!

Q: Como é para você ver seus cinco filhos levando o negócio hoje?

Jorge: Quando crianças, eles eram um terror em casa, e um defendia o outro até no fundo d’água. Nós não tínhamos os três mosqueteiros, nós tínhamos os cinco mosqueteiros, porque era um por todos e todos por um. E hoje meus filhos são competentes, são pessoas idôneas, cuidam de tudo o que construí em uma sociedade que não tem problemas. Se um cuidava do outro desde pequeno, hoje continua a mesma coisa.

Q: Conte sobre um acontecimento que marcou sua vida no comércio.

Jorge: Sempre fui muito agressivo no comércio, renovando sempre e acreditando; sou bom “marketeiro”. Lembro-me de uma temporada fraca que comecei a pensar numa promoção para fazer movimentar o comércio. Estávamos numa semana chuvosa, então fui para Campinas e comprei sessenta guarda-chuvas, fiz uma propaganda no jornal de Itatiba, falando que as primeiras pessoas que chegassem na Riviera e comprassem naquele sábado, ganhariam um guarda-chuva. A loja lotou e não sobrou um único guarda-chuva.

Outro fato marcante aconteceu no final de 1980. A associação comercial de SP sinalizou que aquele seria o pior natal da década; a queda seria de 20 a 25%. Eu reuni os principais lojistas da cidade, eu ainda era o diretor da AICITA, e falei para fazermos o primeiro Natal tropical. Havia palmeiras douradas espalhadas, barraquinhas de sape onde eram vendidas água de coco e comidas típicas brasileiras; sem contar no papai Noel que vestia bermuda, camisa, tênis e meia listrada. O sucesso foi tanto que foi noticiado no Jornal Nacional e na Folha de São Paulo.

Em relação à rede O Boticário, que hoje são meus filhos que tomam conta, fui visionário mais uma vez, comprando a marca antes mesmo de ela ter esse nome. Um amigo meu era padrinho de casamento do Miguel Krigsner, dono da marca. Ele nos apresentou e, desde então (há trinta anos), vendo a marca aqui na cidade e região.

Q: Você acredita em superstição? Fale sobre.

Jorge: Tínhamos um cão que era nosso amuleto, o Sansão. Somos corintianos roxos e sempre assistimos aos jogos reunidos. Todas as vezes que o Sansão saía, o time adversário fazia um gol. Quando ele voltava, o Corinthians virava o jogo. Um dia, peguei a melhor camisa que eu tinha do Corinthians e coloquei nele, a partir de então ele só assistia aos jogos quando colocava a camiseta. O Sansão viveu com a gente até quase dezoito anos. Fizemos uma placa preta e branca em sua homenagem com os dizeres: Aqui mora Sansão, um corintiano que nos ensinou que as cores do amor são o branco e preto.

Q: Qual é o maior orgulho de tudo o que construiu em sua vida?

Jorge e Vera: O que a gente tem um orgulho imenso é da família que nós construímos. Os filhos maravilhosos, os netos amorosos e cuidadosos. Todos se preocupam muito com a gente. É o maior orgulho. De tudo o que nós fizemos e construímos materialmente, não supera a família que nós fizemos. Porque é uma família que se ama e se respeita. Isso é muito importante porque o dinheiro é algo que se vai, dinheiro é efêmero; agora o amor não acaba nunca, esse é eterno, ele constrói. É uma felicidade muito grande que temos com a nossa família. Somos companheiros um do outro.

Q: E quais os novos projetos daqui pra frente?

Jorge: Estou escrevendo um livro sobre minha vida, contando desde histórias dos meus pais, da minha infância, até os dias de hoje. O livro será lançado no início de 2015.

 

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