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Jota Quest: o groove que te conquistou

Jota Quest - divulgação - credito Mauricio Nahas 11

Por Juliana Rangel

Fotos: Mauricio Nahas

São treze álbuns, 18 anos de carreira e sete DVDs: o Jota Quest conquistou o coração dos brasileiros com seu groove envolvente e baladas românticas que marcaram diversas épocas.

O tecladista da banda, Márcio Buzelin, bateu um papo super descontraído por telefone comigo e com seu sotaque mineirinho me contou sobre a história da banda, as parcerias para o CD Funky Funky Boom Boom e comentou até sobre o que poderíamos conseguir para ter dias melhores pra sempre.

Foram os cerca de 5 milhões de discos vendidos que fizeram a banda renovar por mais quatro anos com a gravadora Sony Music, já são dezoito anos de parceria e vem muito mais por aí. “Mas o grande negócio da banda ainda é o show”, conta o tecladista. E não é à toa! Em média, são 120 shows por ano com mais de 10 mil pessoas na plateia. As faixas embalaram trilhas de novela, histórias de amor e sempre se inovam a cada novo CD.

A banda que ganhou diversos prêmios, incluindo dois Grammys Latinos em 2012 e 2013, como Melhor Álbum brasileiro de Rock e Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasil, respectivamente, fala um pouquinho da história do quinteto para vocês agora: 

Q: Como foi feita essa parceria para o álbum Funky Funky Boom Boom com o produtor Jerry Barnes, que já produziu álbuns de artistas internacionais como Stevie Wonder e a banda Chic, por exemplo?  

Jota Quest: O contato da banda com Jerry Barnes aconteceu em 2011, quando tocamos no mesmo dia em um show com a banda Chic. E o mais curioso é que quando começamos a tocar em galpões e festas menores, tínhamos muito da banda Chiq em nosso repertório, que é uma banda icônica para a discoteca e o black music mundial e foi uma grande influência pra gente. O convite inicial era para fazermos apenas uma música juntos e a parceria deu tão certo e a sintonia foi tão boa que acabamos fazendo quase o álbum inteiro com ele produzindo. A produção foi a distância, ele vinha periodicamente a Minas e nós mandávamos as produções para Nova York e Los Angeles para alguns complementos e finalizações.

Q: Bacana por ele ser produtor de uma banda que acabou sendo uma influência para vocês.

J.Q.: Isso é muito importante, até porque quando começamos a pré-produção desse álbum estávamos com essa ideia de voltar a nossa essência principal que é a coisa do groove, que tem muito no primeiro álbum e isso coincidiu muito com a parceria com o Jerry. Pra gente foi muito bom.

Tem também o Pretinho da Serrinha, que é muito conhecido no samba lá no Rio de Janeiro, trabalhou com seu Jorge, é percussionista e toca cavaquinho e outro foi o Adriano Cintra, uma pegada mais eletrônica. E claro, o Nile Rodgers, guitarrista icônico no mundo inteiro, que conheceu nosso trabalho pelo Jerry, pois estavam fazendo uma turnê juntos. Ele ouviu o nosso CD, gostou e quis participar. O trabalho foi mais surpreendente ainda, porque ele praticamente criou o hit da guitarra para as músicas Mandou Bem e Imperfeito.

Q: O quanto acha que evoluíram musicalmente do início da carreira para cá?

J.Q.: Muito! Sempre comparo a banda com um único indivíduo, porque mesmo composta por vários indivíduos e muitas coisas externas, acaba que é igualzinho. Se você coloca o tempo para andar a seu favor, você evolui muito. Nós aprendemos muito com esses 18 anos de mercado. Começamos ainda meninos, saímos de Belo Horizonte sem entender nada e sem nem ter empresário.  Só no segundo CD que fomos aprender desse mundo do show business, afinal, foi um milhão de cópias vendidas! Somos uma sociedade de cinco homens, cada um dá o seu melhor na sua função e assim montamos um grande time e sem nunca perder a sensação de estar sempre recomeçando.

Q: Como é, em mais um ano, assinar contrato com a gravadora Sony Music?

J.Q.: É uma vitória, pois a gente trabalha muito junto com eles. Não colocamos a gravadora como inimigo em momento algum.  Sabemos que eles têm um negócio e entendem a gente como produto, temos que entender o lado deles e sempre agregar coisas boas. O mercado fonográfico, desde quando nós entramos, mudou drasticamente – já entrou em crise de quase falência. E nós sobrevivemos a isso tudo tentando compensar com o nosso trabalho aqui desse lado. Comemoramos a parceria com a gravadora, pois temos amigos lá dentro e amigos pessoais e a conversa é sempre muito franca.

Q: Como fizeram para ‘driblar’ a pirataria e continuar no cenário fonográfico?

J.Q.: Claro que com a pirataria nós fomos bastante prejudicados, como todo mundo no meio musical. Faltou verba, pois não tínhamos como receber da gravadora, já que nem eles recebiam. Mas, prezamos muito que a cada lançamento de disco temos que fazer diferente. Percebemos que a internet é um meio de comunicação que populariza muito a banda. Começamos a trabalhar a interatividade com o público. Eu particularmente – tem opiniões que divergem na banda – acho excelente as pessoas terem acesso ao seu trabalho pela internet. Quem é fã, quem gosta e ainda tem aquela história toda de comprar o CD, compra. Baixaram as vendas, não tenho a menor dúvida, mas o grande negócio da banda ainda é o show, é quem vai aos shows assistir a gente.

Q: Quais as principais influências musicais da banda?

J.Q.: São tantas que não caberia nem nessa matéria (risos). Falando do início, quando ainda tocávamos nos galpões em BH e festas de faculdade, além das autorais, eram sempre artistas ligados à black music: as bandas Jamiroquai, Chic, e alguma coisa que a gente começou a agregar depois que lançamos o álbum, o pop rock. A própria black music do Brasil, que envolve um pouco do groove do samba, samba soul, samba rock, Black Rio. O nosso guitarrista com influências do rock e o Rogério, que veio de Alfenas, tem influência da música mineira, que é o que ajuda ele a criar as melodias. Uma mistura de diversos ritmos que deu essa identidade ao Jota.

Q: Com tanto tempo de carreira, teria como citar uma música em especial?

J.Q: Em média tocamos vinte músicas num show. Graças a Deus temos grande dificuldade em tirar as músicas que as pessoas estão esperando que a gente toque, porque não cabe no repertório, para o show não ficar comprido demais – isso é um ótimo sinal. A gente conseguiu muitas músicas de sucesso nesses anos, que as pessoas conhecem e amam. E talvez a maior conquista da banda seja ter esse repertório tão conhecido. Cada época tem uma música marcante, que são nessas mudanças de álbum/fase, não dá para citar apenas uma. Mas elas estão todas no show!

Q: E para finalizar, o que acha que poderia mudar no país – ou no mundo – para que conseguíssemos ter Dias Melhores pra Sempre?

J.Q.: Resumo em uma palavra só: eu acho que falta amor em todos os sentidos. As pessoas estão extremamente egoístas. A manipulação dos poderes está ficando cada vez mais aparente para quem tem o mínimo de informação. Há muito pouca solidariedade, excesso de competição e uma intolerância quase que patológica. Então o que está faltando é amor. Se o ser humano tivesse evoluído espiritualmente como evoluiu tecnologicamente, acho que o mundo seria excelente para todos. Em nossos shows, buscamos falar muito de amor e de coisas simples do dia a dia, com isso, percebemos que as pessoas saem de alma lavada dos shows e nos dão um retorno muito espontâneo. Uma pena que falar de amor hoje é quase uma anarquia (risos).

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