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Marcelo Rosenbaum fala sobre o Design Essencial

Por Juliana Rangel

Atual apresentador do Programa Decora, do canal GNT e do quadro Lar Doce Lar, do Caldeirão do Huck, na TV Globo, Marcelo Rosenbaum atua há mais de 20 anos no escritório Rosenbaum®.

Através da cultura das pessoas e do local, Rosenbaum cria designs diferenciados, práticos e inovadores. A seguir você saberá mais sobre os projetos sociais que movem o arquiteto e designer.

Q: Conte-nos um pouco sobre o projeto Design Útil. De onde surgiu a ideia de através do seu trabalho transformar novas oportunidades para comunidades e ajudar projetos sociais?

Marcelo Rosenbaum: A partir da minha experiência criativa com comunidades, imersões, processos de cocriação e desenho de propósitos e mudanças sociais, evoluímos o conceito do Design Útil para a metodologia do Design Essencial que surgiu dentro do projeto A Gente Transforma que acontece em comunidades brasileiras. Design Essencial vem despertar uma cultura de inovação através do design como um processo que usa o potencial do ser humano para remodelar as relações e gerar resultados que impactam e transformam. O design do Design Essencial é a transcendência do objeto, é um processo. Um processo onde o design é lido como desígnio ou propósito e o motivo de existência de uma peça ou um projeto criativo deixa de ser individual, passa a ser coletivo por ser essencial e serve ao que é melhor para todos.

Projeto 'A Gente Transforma' / Foto: Tatiana Cardeal
Projeto ‘A Gente Transforma’ / Foto: Tatiana Cardeal

Q: Conte-nos mais sobre seu conceito de design.

Rosenbaum: É o Design Essencial, por ser definido como a capacidade de olhar para uma cultura, descobrir, despertar e potencializar seus valores essenciais, traduzindo-os em conceitos que, através da ferramenta de beleza e estética universal chamada Design, tornam-se agentes de transformação do mundo. No Design Essencial, mais útil do que a autoria é a potencialidade do design em benefício do todo. Descobrir significa identificar através da observação e da auto-observação as possibilidades criativas da cultura da comunidade, o seu valor essencial, muitas vezes em esquecimento. Despertar significa compartilhar a criação de forma que ela venha a representar os valores essenciais de uma cultura e estar a serviço do coletivo. Potencializar significa reposicionar os saberes tradicionais de uma comunidade no mercado do design e da decoração, levando para o mundo e trazendo a consciência, o saber e as tradições intrínsecas, beneficiando de forma compartilhada a todos.

Q: Lar doce Lar foi uma oportunidade para começar a trabalhar com pessoas de baixa renda? Como é essa experiência que tem no programa Caldeirão do Huck e o grau de dificuldade de reestruturar uma casa em péssimas condições?

Rosenbaum: Claro que encontramos famílias em condições precárias de moradias, mas sempre vi nelas mais do que isso. Via pessoas com potenciais e possibilidades que muitas vezes estavam soterrados. Então a partir de suas histórias, puxávamos através dos projetos a identidade que revelava a própria beleza ali presente nas histórias daquelas famílias. Nunca acreditei na ideia de necessitados. Não há necessitados, todos têm seus potenciais individuais e coletivos.

Q: Você acredita que através do design consiga abrir portas para uma melhor educação e até mesmo, um futuro melhor para quem mais precisa?

Rosenbaum: O design como processo consegue incluir e despertar os saberes e a essência de cada um na construção de caminhos criativos que resultam em conceitos, produtos e projetos que despertem autoestima e consciência. Todos precisam disso. O design pode ser uma ferramenta muito útil nesse sentido.

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