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Qual tipo de surdez é a sua?

Por Juliana Rangel

Na peça Tribos, estrelada por Antonio e Bruno Fagundes, o texto nos abre os olhos para a surdez do mundo

Há quase dois anos em cartaz, a peça Tribos, que além de Antonio e Bruno, tem Arieta Corrêa, Eliete Cigaarini, Guilherme Magon e Maíra Dvorek no elenco, já atingiu um número superior a 150 mil expectadores no Brasil e, em Portugal, público de 50 mil. “A gente costuma brincar que um bom texto de teatro é aquele que faz você pensar cinco minutos até o estacionamento. Esse daqui faz você pensar um pouco mais. É possível ficar por alguns meses com o texto na cabeça.”, comenta Antonio Fagundes, sobre a peça.

Apesar do espetáculo falar sobre surdez, o texto (originalmente escrito por Nina Raine), utiliza esta deficiência como uma metáfora, falando da surdez universal. De quem escuta, mas não quer ouvir e não aceita uma realidade diferente da sua. “Nós costumamos dizer que a peça dividiu a surdez em duas categorias: uma é a das pessoas que nasceram assim, que de uma certa forma, são vítimas dessa condição, como é o caso do Billy, que nasceu surdo. E a outra é de pessoas que tem o sentido pleno, escutam perfeitamente, mas não ouvem quem está a sua volta. Então qual dos dois tipos de surdez é o mais grave? É essa reflexão que a peça propõe.”, frisa Bruno Fagundes.

A peça aborda a história do personagem Billy, que nasceu surdo numa família de ouvintes e que foi praticamente criado como ouvinte. A vida de Billy se transforma quando ele conhece uma menina – personagem que torna-se surda devido a um fator genético – que o ensina a falar através de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e mostra um mundo diferente do que ele vive dentro de casa.

Apesar de falar sobre surdez, é possível comparar o preconceito sofrido pelo personagem Billy com qualquer outro tipo de preconceito. “No fim do espetáculo falamos para o público fazer um exercício e tirar do centro da trama o deficiente auditivo, colocando o homossexual, o negro, o judeu, ou qualquer outra minoria conceituada preconceituosamente pela sociedade. O que todos percebem é que estrutura da peça permanece a mesma. Até porque ela usa a deficiência auditiva como uma metáfora.”, lembra Antonio.

O elenco denominou a peça como uma Comédia Perversa, por tratar um assunto tão delicado com um humor ácido. Durante todo o espetáculo, o público solta várias gargalhadas e a perversidade se encontra nisso: rir de um assunto completamente sério.

Tribos não conta com nenhum tipo de patrocínio, o que aproxima ainda mais todo o elenco. “Temos o mesmo elenco, a mesma turma e a mesma técnica desde o início e ninguém quer ir embora, porque o clima profissional além gostoso, é de muita parceria. E sabendo que a peça só está em cartaz porque o público elegeu e não porque tivemos um apoio financeiro, faz a gente se sentir muito bem.”, comemora Antonio.

O espetáculo trabalha com acessibilidade. Em pelo menos uma das apresentações de cada cidade, há intérprete de libras, estimulando o deficiente auditivo a assistir à peça. Durante apresentações em São Paulo e Portugal, além da intérprete, trabalharam também com audiodescrição, para deficientes visuais. “No período dos ensaios nós percebemos que seria um contrassenso fazermos uma peça que fala sobre surdez e não promover inclusão.”, explica Bruno.

Provando que a parceria de pai e filho continua dando certo, ambos reapresentarão a peça Vermelho (primeira peça que trabalharam juntos), em setembro, no Teatro TUCA (SP). Antonio fala sobre essa relação: “O Bruno pensa como eu. Embora eu tenha muito mais tempo de carreira, eu sinto nele um caminho profissional maduro e eu considero isso importante quando vou trabalhar junto com alguém, principalmente em Teatro, que é mais do que um casamento. Quem é casado e faz teatro, sabe que conhece mais o elenco do que a mulher”, brinca.

Bruno diz que o objetivo dos dois é o mesmo: contar determinada história e atingir o maior número de pessoas. “É muito gostoso trabalhar com uma pessoa, que além de ser meu pai, é meu amigo, meu parceiro.”, finaliza o ator.

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