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Triste Recorde

Vidro-Blindado - Copia

Por Aloysio Coelho

Com mais de 120.000 unidades rodando nas mãos de civis, o Brasil é o maior mercado mundial de carros blindados

Com a publicação do 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no final do ano passado os jornais trouxeram um enorme volume de notícias que não só confirmam como reforçam o clima de violência urbana em que vivemos e nos coloca em permanente estado de alerta.

Já não tivesse bastado o verdadeiro pugilato, que durante o segundo turno da eleição presidencial nos envergonhou e embrulhou nossos estômagos, notícias como esta, da grandeza do mercado brasileiro de carros blindados, indicam claramente que as coisas não andam nada bem por aqui.

Numa sociedade minimamente civilizada não deveria nem haver mercado para este tipo de produto. Aqui temos 120 mil deles rodando em nossas cidades e a cada ano fabricamos mais de 10 mil. Mas, algumas outras notícias do final de 2014 nos assustam e envergonham ainda mais:

“Uma pessoa é assassinada no Brasil a cada dez minutos”

O Estado de São Paulo, 11 de novembro de 2014.

Em 2013 foram 53.646 assassinatos, ou seja, 26,6 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Para a ONU, taxas acima de 10 para cada 100 mil são consideradas de violência em estado epidêmico. Nos Estados Unidos este índice é 4,6 e na Europa apenas 1,1.

 “País tem 50 mil mulheres estupradas por ano”

O Estado de São Paulo, 11 de novembro de 2014.

Como apenas 35% das vítimas costumam dar queixa à polícia, o número real estaria em torno de 143 mil. Nem os bárbaros do Estado Islâmico apresentam tamanha performance.

“De 2009 a 2013, a polícia brasileira matou em média 6 pessoas por dia.

Folha de São Paulo, 11 de novembro de 2014.

Nesses cinco anos, foram mais de 11 mil mortes. A polícia americana, que Hollywood retrata como extremamente violenta, levou 30 anos para atingir este número. O espanto aumenta, se considerarmos que nossa população representa apenas dois terços da americana.

O custo da violência no Brasil, que reflete todos os gastos com segurança pública e privada, além do sistema de saúde e principalmente com a perda de capital humano, representou em 2013, 5,4% do PIB (Produto Interno Bruto). É o mesmo que todo o setor automotivo conseguiu produzir no mesmo ano, incluindo automóveis, caminhões, ônibus, tratores e autopeças.

O setor automotivo emprega aproximadamente 130 mil pessoas no Brasil. Somente as empresas de segurança privada empregam mais de um milhão, representando cinco vezes o contingente do Exército Brasileiro. Incluindo-se os efetivos das polícias estaduais e federal, o número chega perto de dois milhões. Isso considerando-se apenas o lado teoricamente “do bem”. Se incluirmos o lado “do mal”, os bandidos, a conta deve ser bem maior.

Neste assunto não dá para separar os lados, pois um não viveria sem o outro e no final das contas, quem paga a conta somos nós, as vítimas.

Nasci apenas sete anos após o final da Segunda Guerra Mundial e durante minha infância o mundo vivia um período de crescimento e otimismo generalizado, puxado pelo excepcional desempenho dos Estados Unidos. Em minha casa, por razões profissionais de meu pai, que lá havia vivido por algum tempo, tínhamos como referência esta grande nação e acreditávamos que um dia, com educação, muito trabalho e honestidade, o Brasil chegaria lá!

Pois é! O melhor que conseguimos neste tempo foi regredir à Idade Média, enquanto países destruídos pela guerra tornaram-se economias exuberantes.

Infelizmente, com a bagagem que temos é praticamente impossível que por aqui surjam gênios renascentistas que nos tirem desta condição.

Durante o governo Médici, período mais duro do regime militar, que coincidiu com a Copa do Mundo de 1970 e a seleção tricampeã, surgiram várias frases ufanistas para esconder a realidade por trás dos muros dos quartéis, ou dos palácios, como nos dias de hoje.

Uma das mais famosas dizia: “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, que O Pasquim de forma brilhante complementou com “O Último a Sair Desligue a Luz do Galeão”.

Por que será que ultimamente ando lembrando tanto dessas coisas?

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