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"O primeiro Dinossauro, meu Cometa preferido. Tive a sorte de estar numa das primeiras viagens deste ônibus, hoje pertencente à coleção dos fundadores da empresa." Foto: Arquivo Pessoal

Um cometa entre Rio e São Paulo

60.000 km de ônibus pela Via Dutra.

Aloysio Coelho Projetista de carrocerias há 38 anos, iniciou sua carreira na Ford Motor Company - Brasil.
Aloysio Coelho
Projetista de carrocerias há 38 anos, iniciou sua carreira na Ford Motor Company – Brasil.
Para um rapaz de vinte anos, ocupado apenas com estudar o mínimo possível, namorar e pegar ondas, mudar do Rio de Janeiro para São Paulo era um projeto que tinha tudo para dar errado.
Por sorte e principalmente pela hospitalidade dos paulistanos, rapidamente eu estava integrado à minha nova cidade e morando em frente ao Parque do Ibirapuera, um privilégio que certamente ajudou muito. Mas um detalhe ficou faltando. A namorada, iniciando engenharia no Rio, determinou que nos próximos cinco anos a Via Dutra seria meu caminho, um fim de semana sim outro não.
Nos dois primeiros anos meu Opala preparado com todo o carinho devorara a Dutra batendo recordes de tempo entre as duas cidades. Radares não existiam e rapidamente aprendi os sinais de luz e gestos dos motoristas da Cometa que vinham no sentido contrario, alertando sobre dificuldades na pista e guardas rodoviários muito mais preocupados em faturar uma cervejinha do que propriamente cumprir seu dever.
Veio a grande crise do petróleo e me convenci de que os belos Cometas e seus simpáticos motoristas, além de economia me proporcionariam doze horas a mais para namorar nos finais de semana, uma vez que as viagens passariam a ser noturnas, coisa que não me atrevia a fazer de carro na velha e perigosíssima Dutra.
Fundada em 1937 por um aviador italiano, a Cometa era um exemplo de pontualidade, ônibus impecáveis e motoristas bem treinados. Uniformes azuis e os óculos “Ray-Ban Aviator” viraram sua marca registrada, assim como são dos pilotos de avião.
Até 1951 a Cometa operou apenas na cidade de São Paulo, quando recebeu sua primeira concessão interestadual, justamente na recém-inaugurada Rodovia Presidente Dutra, tornando-se um símbolo da ligação entre as duas maiores cidades do país. Somente oito anos mais tarde surgiria a Ponte Aérea.
Das lembranças desse tempo, a mais marcante aconteceu no domingo 22 de agosto de 1976, quando ao chegar em Itatiaia, parada obrigatório no sentido Rio – São Paulo, percebi carros da Polícia Rodoviária estacionados e policiais reunidos em volta.
Apesar do regime militar, havia uma certa paz no final daquele domingo de inverno e resolvi perguntar o que estava acontecendo. Nem foi preciso, pois o rádio da Veraneio estava alto e escutei que o ex-presidente Juscelino Kubitschek acabara de morrer ali perto, quando seu carro cruzou o canteiro central e bateu de frente com uma carreta que vinha do Rio.

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