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Uso da tecnologia na infância

Qual a diferença da infância vivida nos anos 90 e a infância de nossas crianças de hoje? Será que o pega-pega, esconde-esconde, pipa, brincadeiras de roda, entre muitas outras, foram substituídas pelos tablets, celulares, computadores, videogames, aplicativos de jogos e desenhos na televisão?

O uso da tecnologia vem influenciando o desenvolvimento infantil e preocupando pais e educadores que buscam entender os efeitos dessa exposição para os pequenos. É inegável que os aparelhos ajudam a desenvolver o interesse e a aprendizagem das crianças e não há como privá-las, uma vez que a tecnologia está em praticamente todas as ações do nosso cotidiano e, por vezes, nem mesmo o adulto consegue fazer uso adequado dela, inserindo-a em momentos rotineiros da família, como na hora da alimentação, lazer ou descanso. Além disso, não raro, a tecnologia é usada para distrair as crianças, proporcionando momentos de “sossego” aos pais, implicando negativamente na convivência e no diálogo entre os membros da família. Pais extremamente apegados à tecnologia não se dedicam a parar e “conectar-se” exclusivamente com os filhos, seja brincando, conversando, lendo uma história, dando banho ou comida, o que gera imenso incômodo na criança, que precisa dividir a atenção dos pais com o aparelho eletrônico ou é obrigada a ficar na TV ou tablet para ficar “quieta”. O tempo de qualidade dos pais com os filhos é extremamente importante para a formação da personalidade. Assim, é importante atentar-se ao tempo que a criança fica exposta a estes estímulos e não esquecer que o brincar tem enorme relevância para o desenvolvimento social, emocional, moral, intelectual e físico da criança. É brincando que elas conhecem o mundo que a cerca e ampliam sua percepção sobre si, suas capacidades e o outro. As brincadeiras devem fazer parte da rotina diária, com ênfase na vivência e experimentação, possibilitando o faz-de-conta, o contato com texturas, odores, sabores, os diferentes materiais, o acesso a espaços abertos e a interação. É brincando que a criança aprimora a organização dos pensamentos, a capacidade de iniciativa e a compreensão dos afetos. O uso da tecnologia não pode ser precoce nem exagerado e deve ser adequado a faixa etária, para que não atrapalhe o desenvolvimento e bem-estar dos pequenos. Ainda não há consenso, mas pesquisas da Academia Americana de Pediatria sugerem que crianças até dois anos não devam ser expostas a celulares, tablets ou computadores, pois não há ganho algum para elas, pelo contrário. Dos dois aos cinco anos o acesso deve ser restrito a uma hora por dia. E acima desta idade, o uso deve ser restrito a apenas duas horas por dia.

Os dados apontam que as crianças ficam de 4 a 5 vezes mais expostas do que o recomendado, então é necessário fornecer limites sempre, pois a criança precisa saber que existem regras e horários para o uso dos aparelhos. Quanto aos adolescentes, que utilizam os tablets e smartphones, sempre deve haver supervisão e orientação dos pais sobre momento e locais adequados ao uso. Aí vale ficar atento ao modelo que está sendo fornecido a criança, afinal são os pais que devem ensinar o modo correto de usar a tecnologia. Por exemplo, se o celular é usado durante as refeições não há autoridade para impedir o filho de fazer o mesmo. O que tem se observado é que a sobrecarga e uso inadequado da tecnologia na infância parecem se relacionar com aumento de ansiedade, irritabilidade e impulsividade, além de queda no rendimento escolar, isolamento social e problemas físicos, como dor de cabeça, obesidade e alteração no padrão do sono. Essa superestimulação, que interfere no crescimento cerebral, uma vez que na primeira infância o cérebro da criança passa por enorme expansão, quase triplicando de tamanho, também parece associar-se ao déficit de atenção, depressão infantil e outras psicopatologias. O acompanhamento psicológico deve ser procurado para auxiliar na organização da rotina da criança, avaliar os efeitos prejudiciais e orientar os pais quanto aos limites, sempre que tais sintomas forem observados. Também é preciso atentar-se a dependência a tecnologia, cada vez mais comum; a questão da segurança e controle dos conteúdos acessados, evitando situações de risco, e a maturidade da criança diante da exposição nas redes sociais. É bacana investir em senhas e formas de observar o conteúdo acessado pelas crianças, a fim de zelar pela segurança delas. De modo geral, o uso da tecnologia não deve substituir a brincadeira, nem as atividades físicas, nem o contato real com as pessoas e o mundo, pontos fundamentais para o desenvolvimento integral da criança.

Para que a tecnologia seja uma ferramenta educativa eficaz é preciso utilizá-la na medida certa e com bom senso, para que as crianças não fiquem preguiçosas, sedentárias, excitadas em excesso ou irritadas. Elas precisam correr, brincar, conflitar entre si, comer na mesa, conversar, pintar e criar suas próprias histórias. Talvez hoje, com tantas inseguranças e preocupações, não há como deixar as crianças brincarem nas ruas com os vizinhos com a mesma tranquilidade que havia há 25 anos. Mas deve-se oportunizar brincadeiras que resgatem aquela infância saudável e estimulante, ao ar livre, brincando com os bichos e outras crianças, em contato com a natureza e descobrindo o mundo. É preciso, urgentemente, deixar as crianças serem crianças!

Mariana Palladino Delforno
Pedagoga, Psicopedagoga e Psicóloga Clínica (abordagem cognitiva comportamental)
CRP 06/111696
Clínica Amare – Rua Júlio Paiva, 27 – Vila Cruzeiro- Itatiba
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