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Viviane Senna

Por LIONARA BIRON

A vontade de combater a exclusão social no Brasil é o que move a psicóloga paulistana, irmã mais velha do tricampeão de Fórmula 1, Ayrton Senna.

Depois de atuar durante quase 20 anos na área de psicologia, Viviane Senna, irmã do eterno campeão brasileiro de Formula 1, Ayrton Senna, tomou frente, como presidente, do Instituto Ayrton Senna em 1994. Foi neste mesmo ano que Ayrton deixou uma nação de fãs, admiradores, amigos e familiares, depois de sofrer o acidente que custou sua vida. Dois anos depois, Flávio Lalli, esposo de Viviane, também se foi após sofrer um terrível acidente de moto em São Paulo.
Até passar por este turbilhão de perdas e tragédias, Viviane pouco era vista na mídia. Nascida no bairro paulistano do Tremembé, já casada e mãe de três filhos, era considerada a grande conselheira de Ayrton.
Viviane tentou ainda, durante dois anos, conciliar a atividade em consultório com o instituto e, ao perceber a exigência das duas partes, decidiu dar continuidade ao sonho do irmão. “Os pacientes eu podia encaminhar, o instituto, não”, afirma Viviane.
Hoje, a favor da educação, junto ao Instituto, Viviane é exemplo de força e vontade, que a fizeram mover grandes barreiras, quebrar preconceitos e movimentar uma considerável massa de jovens para um caminho de futuro. Os resultados podem ser vistos diante da realidade de cada criança ou jovem atendido pelos projetos que saíram do papel e se tornaram realidade.

Instituto Ayrton Senna

O Instituto Ayrton Senna é uma organização sem fins lucrativos que pesquisa e produz conhecimentos para melhorar a qualidade da educação no Brasil. Viviane foi e ainda é uma peça fundamental para o desenvolvimento das ações que refletem positivamente em todo o país.
Anualmente, o Instituto capacita 60 mil educadores e os projetos agem diretamente e com eficácia a cerca de 2 milhões de alunos em mais de 1.300 municípios em todo o Brasil.
Financiado com recursos próprios, através de doações e parcerias com a iniciativa privada, o Instituto atua com serviços de gestão do processo educacional que incluem o diagnóstico e planejamento, formação de educadores, desenvolvimento de soluções pedagógicas e tecnológicas, para agirem em prol do desenvolvimento e o respeito à educação infantil de forma integral com breves resultados.

Para contar um pouco mais de seu trabalho e como as ações voltadas a educação são desenvolvidas e praticadas, acompanhe a entrevista de Viviane concedida para Q! Revista.

Q!: De onde vem a força e a energia que a motiva diariamente a trabalhar em busca da transformação na educação no Brasil, frente ao Instituto Ayrton Senna há pouco mais de 18 anos?
Viviane Senna: O Instituto Ayrton Senna foi fundado em 1994 para concretizar o desejo de Ayrton em ajudar o país a ser menos desigual, mais justo. Ele queria focar em oportunidades para crianças e jovens. Creio que minha energia e força estão ligadas a esse desejo e também ao meu compromisso, como brasileira, de fazer a minha parte para que tantos outros também possam vencer na vida. Todo mundo tem um potencial e precisa de oportunidades para desenvolvê-lo e ser bem-sucedido. Essa crença me fortalece, assim como os resultados do trabalho de 18 anos, refletidos na vida de milhões de meninos e meninas.

Q!: Quais foram ou ainda são as maiores dificuldades encontradas em seu trabalho, quanto a execução dos projetos desenvolvidos em favorecimento do esporte e educação?
V. S.: O Instituto Ayrton Senna atua em parcerias com secretarias de educação municipais e estaduais. É um trabalho de grande escala, porque atinge a rede de ensino inteira. A equipe interna faz todo um trabalho de capacitação dos profissionais das secretarias, coordenadores de escola e professores. O objetivo é mudar a cultura de gestão para que a educação seja eficiente e, de fato, leve o aluno a ser, conhecer, conviver e produzir com sucesso na sociedade do século 21. Todo esse trabalho atinge um quinto dos municípios do País e está em 25 estados. Esse é o maior desafio: manter a qualidade, cumprir as metas e chegar ao resultado, que é o sucesso do aluno.

Q!: O que ainda é preciso para que o Brasil deixe de ser um país do futuro e passe a ser o país do agora em educação? Como os governos Federal, Estaduais e Municipais podem começar atuando para fazer dessa a realidade de desenvolvimento do país?
V. S.: Já caminhamos muito, mas ainda há uma trilha enorme à frente. Começamos a nos mexer tardiamente e isso significa que temos de compensar o prejuízo. No início do século 20, 80% dos brasileiros eram analfabetos. Quase um século depois, temos ainda 9,7% de analfabetos na população entre 15 e 64 anos de idade e continuamos ocupando os últimos lugares nos rankings mundiais de educação, um contrassenso para um país que ocupa a 6ª economia do mundo. Como reverter isso? Talvez nos espelhando em países que alcançaram a estabilidade na educação e que acreditaram que todos os alunos são capazes de aprender, criando oportunidades qualificadas para isso se concretizar, por meio de uma abordagem individualizada na aprendizagem desde o início da educação infantil. Além disso, envolver todas as áreas sociais para que, juntas, ajudem a mudar o atual cenário. Cada um, dentro de sua expertise, tem de fazer a sua parte: poder público, criando políticas públicas eficazes que possam reverter os índices negativos; a sociedade civil compartilhando soluções para ajudar as outras esferas a darem conta do desafio e o poder privado investindo recursos nessas soluções. Não é preciso reinventar a roda, mas definir metas, compor estratégias, unir forças e rever a gestão, assim como a educação que até hoje é oferecida aos nossos alunos, pautada em velhos modelos, e que não preparam as novas gerações para serem cidadãos plenos.

Q!: Itatiba, cidade do interior de São Paulo com pouco mais de 103 mil habitantes, participa de projetos realizados pelo instituto Ayrton Senna. Na sua visão e experiência, quão importante é a realização e conscientização de todo um país e não apenas das grandes cidades e de forma isolada?
V. S.: Os municípios têm grande relevância na construção de uma educação qualificada. É possível focar nas necessidades e déficits dos alunos de determinada cidade e criar políticas próprias que, em sintonia com as questões macros, deem conta de formar suas crianças e jovens, dando-lhes condições de prosseguirem com sucesso na trajetória escolar. Se cada cidade fizer um real diagnóstico de sua educação, detectando os problemas, fica mais fácil encontrar as soluções. Há cidades que desconhecem quantas crianças ainda não estão plenamente alfabetizadas e continuam fracassando nos estudos, com frequentes repetências. Se isso não for detectado e trabalhado para mudar, todo o ciclo ficará comprometido e aquele lugar vai gerar cada vez mais alunos repetentes que não conseguirão fluir e acabarão desistindo da escola. Tudo isso refletirá no mercado de trabalho, na mão de obra que o município terá no médio prazo. E são consequências para todo o país.

Q!: Quais as ações futuras ou pré-programadas para os próximos anos?
V. S.: Nosso trabalho consiste em pesquisar e produzir conhecimentos para melhorar a qualidade da educação, em larga escala. Disponibilizamos às administrações públicas, gratuitamente, serviços de gestão do processo educacional que incluem diagnóstico e planejamento, formação de gestores e educadores, desenvolvimento de soluções pedagógicas e tecnológicas inovadoras, tudo para promover uma educação integral ao desenvolvimento de crianças e jovens em suas múltiplas competências. Esse é o nosso foco.

Q!: As empresas que desejarem participar precisam preencher quais requisitos? Como podem proceder?
V. S.: Qualquer empresa ou pessoa pode ajudar a melhorar a qualidade da educação brasileira. No caso de empresas, existem várias maneiras, mas destaco três delas: colocar recursos nos programas educacionais que desenvolvemos, sempre em parceria com a secretaria de educação da cidade ou do estado. No caso de Itatiba, por exemplo, temos parceria com a Nivea, no Programa SuperAção Jovem, e com a BorgWarner, para implementação de programas que corrigem a defasagem entre a série e a idade do aluno, causada por repetências. As empresas também podem licenciar as marcas Ayrton Senna, Duplo S e Senninha ou participar de algum evento realizado pelo Instituto, como patrocinadores. Existem empresas que nos ajudam colocando seu tempo e expertise em favor da causa, ajudando-nos a realizar o nosso trabalho de alguma forma.
A pessoa física tem também várias formas de participar. Ela pode ser uma doadora mensal, pode comprar produtos licenciados, participar de eventos que revertem recursos para o nosso trabalho e, ainda, doar as notas fiscais, sem CPF, para o Instituto. Todas as formas de contribuição estão no nosso site e todas são de essencial importância.

Q!: Ser formada em psicologia e ter exercido a profissão ajudou de qual forma quando a senhora se tornou presidente do Instituto Ayrton Senna e responsável pelos inúmeros resultados positivos, que foram reflexo de seu trabalho?
V. S.: A minha formação foi e é importante para o meu trabalho até hoje, porque meu dia a dia é lidar com pessoas, entendê-las, acolhê-las. Cliniquei por mais de uma década antes de assumir a presidência do Instituto e a bagagem que colhi desse tempo é que me ajuda a refletir sobre todas as coisas.

Q!: É comum ver equipes automobilísticas, pilotos de formula 1 e até mesmo profissionais de várias outras áreas ao redor do mundo, realizando enquetes e homenagens ao Ayrton Senna, mesmo depois de sua partida, como por exemplo, a equipe McLaren que criou um site (http://senna.mclaren.com/) onde fãs de todos os países podem deixar um recado especial em memória de Ayrton. Como a senhora avalia todo esse carinho que não se limita somente aos brasileiros?
V. S.: Ayrton deixou um legado que mobiliza e emociona qualquer pessoa, de qualquer classe social, idade e, até mesmo, aqueles que nunca o viram correr, os mais jovens. Ele mostrou, na vida e nas pistas, valores essenciais e que precisam ser resgatados em cada um de nós: motivação, determinação, superação e busca da perfeição. Isso tudo é um tesouro imenso. Para os brasileiros, ele foi além: mostrou ao mundo um país vencedor, guerreiro, que não se abate diante das dificuldades. Ayrton sempre será lembrado por suas conquistas e por sua maneira dedicada e compromissada com tudo aquilo que fazia.

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