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Ações de combate à violência contra a mulher lugar da mulher é onde ela quiser
  Data de publicação: 15/04/2020     Categoria(s): Projeto Social
 Postado por:   QRevista

Ações de combate à violência contra a mulher são cada vez mais intensas em Itatiba. A conscientização sobre o assunto também vem crescendo e quem está por traz disso são algumas ativistas femininas da região. Leila Bedani, vereadora na cidade e servidora pública há mais de 20 anos, é uma dessas mulheres que está na luta pelo combate à violência contra a mulher, além de autora de vários projetos.

A cada duas horas uma mulher é morta no Brasil*, esse dado alarmante mostra o quanto é importante falar sobre segurança e direitos femininos. Por isso, Itatiba conta com diversas ações de combate à violência contra a mulher.

Uma delas é o Defense, curso básico que ensina autodefesa para mulheres, para ela saberem como agir diante de uma situação de risco e manter a calma caso algo aconteça. Além disso, também são ensinados golpes simples e como devem ser aplicados.

Lembrando que tanto agressões físicas quanto verbais devem ser denunciadas. Marco Antônio da Silva, delegado de polícia que responde pela Delegacia de Defesa da Mulher de Itatiba esclarece como as denúncias devem acontecer. “Em caso de violência doméstica e se o agressor ainda estiver no local, os primeiros a serem acionados devem ser a Guarda Municipal ou a Polícia Militar. Já em casos que o agressor fugiu, a primeira coisa a ser feita é procurar socorro médico e avisar ter sido vítima de violência doméstica”, esclarece Marco Antônio.

Outra ação importante na cidade é a Virada Feminina, que tem como objetivo o empoderamento feminino, palavra tão atual e necessária no contexto sociopolítico pelo qual estamos enfrentando.

Em sua segunda edição, realizada em 2019, teve um considerável aumento tanto de público (mais de 300 pessoas) quanto de voluntários e parceiros em relação à primeira edição. Com variadas atrações, contou com a participação especial de Cidinha Raiz, primeira mulher negra candidata ao Senado brasileiro, acompanhada de empreendedoras negras de São Paulo, participantes da OBME (Organização Brasileira de Mulheres Empresárias) e do Grupo de Trabalho Raça e Etnia.

No carnaval a Campanha Nacional Não é Não também esteve presente em Itatiba. O fato da mulher usar menos roupas intensifica o assédio que já existe no dia a dia e o debate sobre o assunto é essencial., mas atuar na conscientização das mulheres e dos homens. Realizada desde 2018, as voluntárias estiveram presentes nos blocos de carnaval de Itatiba distribuindo cartilhas, adesivos e divulgando os canais de denúncia em casos de violência.

Já os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres é uma campanha anual e internacional, iniciativa da ONU Mulheres, que começa no dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

No Brasil, a Campanha acontece desde 2003 e, para destacar a dupla discriminação vivida pelas mulheres negras. As atividades aqui começam em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra e vão até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, passando pelo 6 de dezembro, que é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Em Itatiba foram realizados, desde 2017, diversos eventos, sempre com o objetivo de conscientizar e orientar a população em relação combate à violência contra a mulher.

“Somente com a discussão desses vários aspectos que a população terá mais consciência da importância desses assuntos. A Delegacia da Mulher trabalha com números e queremos que ele diminua cada vez mais, isso é prioridade”, diz Marco Antônio.

Outras ações que acontecem em Itatiba são o Orange Day, conhecido também pelo Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, o Agosto Lilás, campanha que visa levar informações e sensibilizar toda a sociedade sobre a Lei Maria da Penha e as formas de combate à violência contra a mulher e o curso Agente Bem Querer Mulher, em prol do atendimento humanizado e qualificado das mulheres vítimas de violência. 

Mais Mulheres na Política

Nos últimos 3 anos, a Vereadora Leila Bedani apresentou, junto de demais vereadores, diversos projetos de lei a favor da mulher. A necessidade em se fazer políticas públicas voltadas para a mulher está cada dia mais evidente em nossa sociedade, pois visam à equidade de gênero, a eliminação de qualquer forma de discriminação e de violência contra a mulher, assegurando-lhe a plenitude de seus direitos, sua participação e integração no desenvolvimento econômico, social, político e cultural. Por isso, diversas leis já foram implantadas e outras aguardam votação.

Leila nunca deixou de fiscalizar e iniciar projetos em prol da população. Na área da mulher,  também cobra por uma rede de atendimento à mulher em situação de violência como a Casa Abrigo, a capacitação dos agentes comunitários, implantação de rede de proteção à mulher, ativação do Conselho Municipal da Mulher, ampliação da Delegacia da Mulher, apoio do Conseg Itatiba, convênio com o Ministério Público, atendimento humanizado das mulheres que sofrem violência, entre outros, como o pedido feito ao Governador do Estado solicitando a vinda da Carreta de Mamografia à Itatiba.

“Precisamos de mais mulheres na política para uma democracia mais inclusiva e efetiva, para que possam lutar, criticar, pautar projetos e defender a classe que sofre com a falta de representatividade”, afirma Leila.

Questionada ainda sobre os resultados que essas ações têm trazido ao município, Leila ressalta. “Várias mulheres resolveram denunciar, procurar ajuda e sair do ciclo de violência, pois muitas perdem sua autoestima, ficam muito fragilizadas perante a sociedade e dependentes do seu parceiro. Através das ações, ajudamos as mulheres a enxergar que existe uma luz no fim do túnel e que é possível se reerguer e ser feliz”. 

Leila também chama atenção para outros tipos de violência. “Através das orientações sobre os tipos de violência, uma amiga descobriu que estava vivendo em um relacionamento abusivo e resolveu procurar ajuda. São através dos resultados, mesmo que pequenos, que nos motivamos a entender que diante das dificuldades, ainda estamos no caminho certo!”, finaliza.

Projeto de Prevenção da Violência Doméstica

Outra mulher ativa na luta contra a violência doméstica, é a Promotora de Justiça do MPSP, Fabíola Sucasas. Ela foi uma das responsáveis pelo Projeto de Prevenção da Violência Doméstica com a Estratégia de Saúde da Família, que virou lei de proteção à mulher em Itatiba. O projeto recebeu menção honrosa do Inovare em 2016 e, em 2019, premiação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Segundo dados fornecidos por Fabíola, em 2018, 536 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora, ou seja, 4,7 milhões de mulheres ao longo do ano. Além disso, foi apurado que 27,4% das mulheres brasileiras com mais de 16 anos sofreram algum tipo de violência.

A lei implementada na cidade tem grande poder de informação, como explica a promotora. “Trabalhamos na capacitação de agentes comunitários de saúde com foco em saúde pública das mulheres vítimas de violência. O Ministério Público, junto com a rede de atendimento apresenta materiais informativos para que os servidores da área de saúde promovam as informações para as mulheres vítimas de violência. A violência contra a mulher deve ser enxergada como questão de saúde pública, uma vez que adoece, provoca sofrimento nos filhos, danos físicos e psíquicos”, diz Fabíola.

Itatiba busca mais conscientização com ações efetivas em combate à violência contra a mulher. Estamos no caminho certo! 

*dados do Monitor da Violência, parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

  SAIBA COMO DENUNCIAR  
De acordo com a ONDH (Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos), a média diária de 1º a 16 de março foi de 3.045 ligações recebidas e 829 denúncias registradas. Já nos 8 dias seguintes estes números subiram para 3.303 ligações recebidas e 978 denúncias registradas, um aumento de 9%. É preciso redobrarmos a atenção para os casos de violência doméstica nesse período de isolamento social: DENUNCIE! Ligue 180 - Canal gratuito e confidencial!

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